Entrar no universo da alta relojoaria é como abrir um portal para a história da engenharia, do design e do status social. Para quem busca comprar modelos de Rolex usados ou entender o misticismo por trás dos relógios Patek Philippe, este não é apenas um hobby, é a curadoria de um patrimônio que sobrevive ao tempo.
Se você está aqui, sabe que um relógio de luxo é muito mais do que um acessório que marca as horas, é uma obra de arte mecânica. E, para elevar o seu repertório e entender por que esses relógios famosos têm um status tão alto no mercado da alta relojoaria, é preciso olhar para os detalhes que não estão nos manuais.
Confira algumas curiosidades fascinantes e pouco conhecidas sobre os modelos que moldaram a história da Rolex e da Patek Philippe.
Rolex: “alcance a coroa”
Falar de Rolex é falar de precisão implacável. Fundada em 1905 por Hans Wilsdorf, a marca não começou na Suíça, mas sim em Londres. Wilsdorf tinha uma visão audaciosa: criar relógios de pulso que fossem não apenas elegantes, mas incrivelmente precisos e resistentes — algo raro em uma época dominada pelos relógios de bolso.
A obsessão da marca pela funcionalidade levou à criação da caixa Oyster em 1926, a primeira caixa de relógio à prova d’água e poeira do mundo. Desde então, a Rolex se tornou sinônimo de descobrimento, acompanhando homens e mulheres do fundo do oceano ao topo do Everest.
Os principais modelos Rolex
Para um colecionador, além das especificidades técnicas, cada modelo conta uma história. Aqui estão os pilares da marca:
Submariner

Muito antes da parceria oficial com outra marca suíça, a Omega, o primeiro James Bond (Sean Connery) usava um Submariner Ref. 6538 em Dr. No (1962). Diz a lenda que o relógio pertencia ao próprio Connery, pois a produção não tinha orçamento para um acessório de luxo na época.
Daytona

Acredite ou não, o Daytona ficou parado na vitrine nos anos 60. Os colecionadores da época preferiam relógios mais finos e automáticos (os primeiros Daytonas eram de corda manual). Foi a associação com o ator Paul Newman que transformou esse “patinho feio” em um dos relógios mais desejados do mundo.
GMT-Master II

As cores da luneta do GMT-Master II não foram escolhidas apenas pela estética, foi tudo muito bem pensado. No modelo Coke, por exemplo, o vermelho indicava as horas do dia (06:00 às 18:00) e o preto as horas da noite, facilitando a leitura imediata do fuso horário de referência para os pilotos da Pan Am, a Pan American World Airways, principal companhia aérea internacional dos EUA e ícone da aviação do século XX.
Datejust

O Datejust foi o primeiro a mudar a data instantaneamente à meia-noite. Antes do Datejust, os marcadores de data levavam horas para girar lentamente até o próximo dia. E você já reparou naquela pulseira de cinco elos elegante? É a pulseira Jubilee, ela foi criada especificamente para o lançamento do Datejust, tornando-se um ícone de design por si só.
Day-Date

Conhecido como o “Relógio do Presidente”, dizem que Marilyn Monroe presenteou John F. Kennedy com um Day-Date de ouro em 1962, com a gravação “Jack, with love as always from Marilyn”. Temendo o escândalo, Kennedy ordenou que o relógio fosse descartado. Ele reapareceu em um leilão décadas depois, tornando-se um dos itens mais místicos da relojoaria.
Oyster Perpetual

O nome Oyster (Ostra, na tradução livre) não é por acaso, ele se refere à primeira caixa hermeticamente selada do mundo, assim como os moluscos bivalves. Em 1927, Hans Wilsdorf deu um Oyster para a nadadora Mercedes Gleitze atravessar o Canal da Mancha. Após 10 horas na água gelada, o relógio saiu funcionando perfeitamente.
Embora a imensa maioria dos relógios Rolex modernos compartilhe a tecnologia Oyster, à prova d’água, e Perpetual, movimento automático, a marca divide seus relógios em duas grandes categorias funcionais:
- Coleção Oyster Perpetual (modelos básicos): são os modelos “puros” que trazem apenas “Oyster Perpetual” no mostrador. Eles focam no minimalismo, mostrando apenas horas, minutos e segundos.
- Outras Coleções (Oyster Perpetual + complicações): A maioria dos outros relógios Rolex também são, tecnicamente, Oyster Perpetual (caixa à prova d’água + automático), mas possuem funções adicionais, conhecidas como complicações, e nomes específicos, como os mencionados anteriormente.
Patek Philippe: “você nunca é dono de um Patek, apenas o mantém para a próxima geração”
A Patek Philippe é a soberana da complicação e do refinamento. Fundada em 1839 por Antoine Norbert de Patek e Adrien Philippe, a manufatura de Genebra é a última empresa familiar independente do setor.
No início do século XX, no Brasil, a Patek Philippe vendia quase um terço de sua produção total para o Clube dos 100 da relojoaria Gondolo & Labouriau, no Rio de Janeiro. Naquela época, ter um Patek Philippe era um símbolo de status tão grande no Brasil que a palavra “Patek” chegou a ser usada como sinônimo de “relógio” entre a elite carioca.
Então a Patek não fabrica apenas relógios, ela fabrica heranças. Sua filosofia foca no artesanato manual extremo, onde um único relógio pode levar anos para ser concluído.
O mercado de relógios Patek Philippe
Ao procurar relógios Patek Philippe, o colecionador entra em um patamar de exclusividade onde a produção anual é limitada, o que torna a busca por peças no mercado secundário de luxo uma verdadeira caça ao tesouro.
Nautilus

O lendário designer Gérald Genta supostamente teria desenhado o esboço do Nautilus em um restaurante durante a feira de Basileia, em 1974. Ele estava sentado em um canto, observando os executivos da Patek Philippe jantarem e, em apenas cinco minutos, criou o design que mudaria a história dos relógios esportivos de aço.
Aquanaut

O Aquanaut foi o primeiro Patek a usar uma pulseira que não fosse de metal ou couro. Chamada de “Tropical”, ela é composta por um material polímero ultrarresistente à água salgada e raios UV. O padrão da pulseira replica exatamente o padrão do mostrador, criando uma continuidade visual raríssima na época de seu lançamento, em 1997.
Calatrava

O logo da Patek Philippe, a Cruz de Calatrava, tem raízes medievais. Ela era o símbolo de uma ordem de cavaleiros espanhóis do século XII. Antoine de Patek escolheu o símbolo como marca registrada em 1887 para representar independência, honra e cavalheirismo.
O Calatrava é o símbolo do dress watch. Ele foca na legibilidade e na elegância discreta. É o modelo que define a classe da Patek Philippe desde 1932.
Gondolo

O Patek Gondolo carrega o nome de um clube de colecionadores brasileiros do século XIX, os Gondolo & Labouriau. O relógio reinterpreta o espírito Art Déco, apresentando caixas de formatos geométricos que fogem do tradicional redondo.
Ellipse d’Or

Com suas proporções baseadas na Proporção Áurea, uma constante matemática encontrada na natureza e na arquitetura clássica, o relógio Ellipse d’Or é uma peça de design artístico único. Isso explica por que, embora o formato não seja nem redondo nem retangular, ele parece “perfeito” aos olhos humanos de forma instintiva.
Como iniciar sua coleção de luxo secondhand
Comprar um relógio de luxo usado exige estratégia. Aqui estão os pontos fundamentais:
- Autenticidade: em um mercado de relógios famosos, a procedência é vital. Certifique-se de que a peça passou por uma curadoria técnica rigorosa.
- Estado de conservação: verifique o polimento da caixa, a integridade do movimento e se as peças são originais da época (especialmente em modelos vintage).
- Documentação: caixa e papéis originais agregam valor considerável, embora existam excelentes oportunidades confiáveis de compra em peças certificadas pela marca de revenda.
Por que essas curiosidades são importantes para o colecionador?
No mercado de Rolex ou Patek Philippe, esses detalhes valorizam demais uma peça. Saber que o seu Datejust foi o primeiro a mudar a data instantaneamente à meia-noite (em vez de levar horas para girar o disco) ou que o seu Gondolo carrega o nome de um clube de colecionadores brasileiros do século XIX, o Gondolo & Labouriau, transforma o objeto em uma cápsula do tempo.
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*Orit não tem relação comercial com estas marcas.



